Eu quero um poema soturno,
Mais lindo e mais imundo,
Que o mundo
Macilento e taciturno
Embebido de prazer noturno
Mais sujo e mais profundo,
Que o mundo.
Eu quero um poema soluçado,
Que incomode como um dedo,
Cortado,
Que escorra e inunde
O mundo, imundo, profundo
Que como o sangue, unge,
Um coração desfacelado, redundo.
Eu quero um poema antídoto
Que expele a mácula da tristeza
E conserva a beleza, ilesa.
Um poema sórdido
Um poema mórbido
Que me faça vigília na morte,
E nunca se despeça na ida
E que me prive da sorte
De finar-me em vida.












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