Sabe qual é a diferença entre fantasia e realidade?
- Nenhuma. Pois a realidade é uma fantasia que nós mesmos criamos.
(Sr. Arcano)

A MORTE DE HARRY POTTER

12 Abril, 2010

Dos aposentos de seu lar sombrio, Sr. Arcano ficou sabendo da existência de um tal bruxinho chamado Harry Potter.

Boatos fantásticos como varinhas mágicas capazes de feitos extraordinários, vassouras que voam e feitiços poderosos deixaram o poeta das sombras curioso. Tanto que resolveu viajar até a Escócia (Grã Bretanha) para ele mesmo conferir a veracidade de toda essa história absurda.

Voou com sua alma até a famosa vila Hogsmeade, e o que lá encontrou o deixou indignado: comércio de artefatos mágicos de diversos tipos, à semelhança do comércio de produtos "vampíricos" vendidos em barracas próximas ao castelo de Drácula, na Romênia.

Próxima à vila, encontrou a floresta que chamam de Proibida, e a tão famosa Hogwarts, escola de magia que se mantém invisível aos olhos de não-bruxos.

Tanta fantasia deixou o Sr. Arcano irritado, porque na prática tudo aquilo não passava de uma invenção adaptada, ou inspirada talvez, dos jogos de RPG que ele usava como diversão em suas horas de tédio.

Quem inventou tudo aquilo? De que mente fértil vinham todas aquelas ideias absurdas?

Enquanto perambulava perdido em seus pensamentos, criaturas estranhas e temíveis o atacaram. Não se sabe o motivo, mas o Sr. Arcano não era bem-vindo por lá. Os habitantes da vila demonstravam certa aversão por ele, e quando o terrível bruxo Voldemort surgiu do nada e o atacou, o bardo das sombras não conseguiu se segurar e começou a rir.

Depois de acordar desse sonho cômico, Sr. Arcano viu-se novamente em seu lar sombrio, quando veio em sua mente uma grande revelação...

Daniel Radcliffe, o ator que interpretou Harry Potter no cinema, deu vida ao personagem e agora encenava nu em uma peça teatral, para delírio de suas fãs.

E tudo virou comércio através de um capitalismo doentio, onde crianças do mundo todo pediam aos pais os livros de presente, além de produtos com a marca de Harry Potter, como camisas, canecos, pôsters, etc. Isso sem contar as fofocas e entrevistas que davam lucro às revistas e programas televisivos sensacionalistas.

Mas o mais interessante, era que as crianças cresciam acreditando em toda essa fantasia, como acreditavam em Papai Noel. Isso porque o produto de imagem vendido pelo ator era mais importante para o comércio, do que a explicação de que tudo não passava de ficção.

O próprio Sr. Arcano confessou que ficou muito decepcionado, porque tinha esperança na existência da coruja Edwiges, uma coruja postal do mundo de Harry Potter, que nunca falhou numa entrega de carta, mesmo as sem endereço. E cansado de esperar por ela, decidiu enviar pelo correio uma carta-bomba para o ator.

No dia seguinte, a notícia já estava sendo vendida: "HARRY POTTER MORREU!".

E aí é que vem a parte mais interessante da história: o ator Daniel Radcliffe não cuida pessoalmente da correspondência. Mas que a notícia vendeu, ah! Se vendeu!

* * *

"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira"
-- Theodor Adorno, filósofo alemão (1903-1969)

Comentários 4 Comentários:

Lady Angelus disse...

Meu Amor, você é terrivel !!!!Mente que não para de criar!!!!

12 de abril de 2010 20:12
Ellen disse...

Excelente! Lembrou-me do livro "A história da Guerra Fria" onde o autor faz uma brincadeira como essa e vc acaba achando que tudo o que aprendeu estava errado...

13 de abril de 2010 06:35
Hellena Hanz disse...

Que post fucker! Adorei a originalidade mas,será que J.K. Rowling irá gostar desta matéria? Rsrs...

13 de abril de 2010 12:01
Mensageiro Obscuro disse...

Gostei do conto, é engraçado. Imaginei as cenas. Gostei do Jeremias do Nascimento na foto zoada no final.

15 de abril de 2010 21:45

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O ano é 2010. Entre os literatos circula a notícia de que um jovem, usando o pseudônimo Sr. Arcano, tem seus textos descobertos e publicados por uma editora que o descobriu por acaso depois de analisar um livro estranho chamado Os contos proibidos do Sr. Arcano, perdido entre várias obras que aguardavam publicação.
Os contos do jovem, escritos desde sua adolescência, são carregados de sentimentos sombrios e visões obscuras. E durante um bom tempo ele ficou conhecido como o soturno Sr. Arcano.
O jovem escritor aparecia em lançamentos muito furtivamente, e seu desaparecimento foi tão rápido quanto o seu surgimento. Há quem diga que o jovem não conseguia segurar por muito tempo sua máscara de pessoa normal e sorridente, retirando-se de volta para o seu esconderijo misterioso.
Descobriu-se que depois de certo tempo a loucura por trás de sua imaginação o consumiu de forma tão avassaladora, que quem o olhava percebia que mesmo com os olhos abertos ele sonhava, e o que era mais assustador: trabalhava em seus sonhos como se estivesse criando vida em seu mundo sombrio de ideias.


 * * *

Defini-lo de forma pessoal seria limitá-lo como sendo um soturno. Indivíduo que, numa alquimia da dor, extrai da realidade ao seu redor sua essência sombria, invisível para os indiferentes que preferem ignorar o Inferno em que vivem. Por outro lado, tal definição não é rígida em suas obras, mesclando fantasia e realidade em descrições surreais diante de acontecimentos mundanos.

Em seus poemas prefere os versos metrificados e rimados. Raras vezes adotou os versos livres, por lhe trazerem lembranças de um Modernismo assassino e barulhento, que interrompeu de forma drástica a essência do Simbolismo, este por sua vez lhe trazendo agradáveis momentos de silêncio e magia em seus estudos e leituras. Mas não é um simbolista, muito menos romântico ou modernista. Seu estilo ainda está para ser descoberto, e até que o classifiquem já estará morto, e este perfil biográfico será o que restou de sua tentativa (insana?) de tentar classificar a si mesmo.

Fez o curso secundário em um bairro chamado Ilha do Governador, já manifestando interesse por autores e obras obscuras. Porém, por uma questão econômica, não seguiu os estudos na área literária ou filosófica, preferindo formar-se em computação (2009), e continuar sua busca por novos conhecimentos de forma descompromissada, tanto na área tecnológica quanto na espiritual, filosófica e literária.

Em suas obras procura expressar a dor, a treva e o terror. Muitas vezes com traços de loucura, fruto de seus delírios devaneados em sua solidão. E até a conclusão desta auto-biografia (maio de 2010) não se preocupou em ser julgado louco. Prosseguiu seu caminho conversando com os mortos e com as sombras que o rodeiam...

* * *

Sr. Arcano é o pseudônimo do escritor e poeta Alexandre Souza. Suas obras classificam-se em gêneros como: terror, fantasia e mistério. Nascido em 1 de setembro de 1980, é brasileiro e um incansável viajante à procura de novos conhecimentos e experiências.

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