Sabe qual é a diferença entre fantasia e realidade?
- Nenhuma. Pois a realidade é uma fantasia que nós mesmos criamos.
(Sr. Arcano)
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Surgir de um Desejo...

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Proíbam a leitura! (Por Gustavo Magnani)

Encontrei na Internet uma maravilha de post, e gostaria de compartihar com meus leitores.
O Post é de autoria de Gustavo Magnani
E foi postado em seu blog: http://literatortura.wordpress.com

Parabéns Gustavo!

Proíbam a leitura!

Já não aguento mais esse povinho recluso; povinho cheio de exigências. Como se tivessem nascido com direito algum na vida. Não suporto essas indagações e labirintos que fazem com a mente. Dão uma volta aqui, outra acolá e quando você percebe; pufti. Te fizeram cair na incoerência.

Ora bolas, não podem ser como todos? Sentar no sofá, comer pipoca e aplaudir? Esse povo que tem apego à leitura é uma laia de desocupados. Ao não ter o que fazer, leem um livro e entoam aquelas palavras dentro de si como se fosse música. Se não bastasse, passam a sussurrar suas ideias nos recantos silenciosos. Tentam de toda maneira envenenar o bom cidadão. O trabalhador. Aquele que chega em casa cansado e só quer ligar a televisão para ter um bom tempo ali. Vidrado no entretenimento.

Mas o grupo de vagabundos, sim, vagabundos, querem que o cansado homem perca seu tempo embarcando nas páginas de um livro mal escrito. Ora bolas, desde quando ler é prazer? Ler é venenoso, senhores. Como eu posso saber, perguntam vocês. Ora ora… já estive do outro lado.

Não precisam abrir a boca e arregalar os olhos. Consegui me curar. Sim, consegui e estou aqui testemunhando, senhores. Quando você cai nessa perdição, o simples tem mais beleza. Tudo fica mais bonito. Sim, admito. Mas é como uma droga; primeiro ela te ilude e mostra o lado bom. E depois? Ao perceber que está viciado em palavras, você já nota coisas ruins. Aquele tão sagrado programa de domingo a tarde começa a perder a graça. A ignorância te incomoda. O político que você votou já não merece seu voto. Ora bolas, a leitura diz que você mesmo está errado! Onde já se viu? Ela aponta na sua cara e grita! A leitura não tem educação. Ela sugere que tudo precisa ser revisto. Que não vivemos como poderíamos viver. Ora… deixem-me recuperar o fôlego.  Não é fácil lembrar um momento tão tenebroso. A leitura cospe na sua cara e te deixa cego! E tenho dito, senhoras e senhores.

Aqui está a petição que deve ser assinada para, enfim, proibirmos a leitura.
Abaixo uma lista de 10 coisas que a leitura já causou contra a humanidade. Eu poderia ter feito até 1.000, ora bolas!

1-      Gerou violência – uma mulher agrediu a bolsadas o escritor Arthur Conan Doyle por ter matado Sherlock Holmes.
2-      Gerou alcoolismo – Grandes escritores, que obviamente são grandes leitores, eram alcoólatras.
3-      Gerou dúvidas matrimoniais – Até hoje desconfio se fui traído pela minha mulher ou não, senhores.
4-      Gerou saudade da infância – onde já se viu? Um menino que nunca cresce? E voa?
5-      Gerou amores proibidos – duas famílias rivais, senhores!
6-      Gerou roubos – Quantas ideias foram dadas nesses livros policiais?
7-      Gerou loucura – Dialogar com um corvo? Atravessar um guarda-roupa?
8-      Gerou infelicidade – Como querer viver depois de conhecer a Terra Média? Ou Hogwarts?
9-      Gerou medo – vampiros, lobisomens, monstros, ser humano, demônios.
10-   Gerou Pensamento – Onde já se viu? Pessoas tendo suas vidas controladas? Vigiadas?

SE VOCÊ CONCORDA QUE A LEITURA DEVE SER PROIBIDA, ESCREVA SEU NOME E O NOME DO LIVRO QUE TE FEZ PERDER A NOÇÃO DE REALIDADE.

X Gustavo Henrique Magnani Ferreira        –        1984, George Orwell.

.a literatura mata.


 

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Para começar o ano inspirado!












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Promoção de fim de ano - Todos os meus livros com 25% de desconto!


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Crônicas soturnas - 12

Não interessa sua felicidade!
Será que você não entende?

Eu gosto da minha alma em chamas;
Da lágrima dos meus olhos;
Do coração batendo em dor;
Deixe-me em paz com minha melancolia...

Não adianta tentar me envolver com seu vazio. Essa vida de cores, alegria e comemorações que sempre acabam na expectativa desesperadora do que virá no dia seguinte.
Seu dinheiro nunca será o suficiente e você vem tentar me convencer de que devo seguir o mesmo caminho?
Com que objetivo? Ser escravo de suas próprias convicções infinitas de que o dia de amanhã será melhor?

Não interessa sua felicidade!
Será que você não entende?

Eu gosto da minha alma em chamas;
Da lágrima dos meus olhos;
Do coração batendo em dor;
Deixe-me em paz com minha melancolia...

Nada do que você faz vale a pena. E você quer que eu faça o mesmo?
Sua alegria disfarçada, suas palavras fabricadas pela opinião comum do dia-a-dia da sociedade, sua moda!
Você tenta me empurrar coisas fúteis, e eu já estou farto de tanta futilidade!
Olhe ao redor! Veja quantas pessoas iludidas sorrindo! Todas buscam o mesmo ideal, que é esse vazio de querer sempre seguir a opinião comum de todos que os cercam. E todas pensam que estão realizadas. Por quanto tempo?
Eu estou aqui satisfeito com as vozes divinas que preenchem meu coração. Vozes essas da noite, do luar, da poesia, do vinho, das sombras, da solidão...

Não interessa sua felicidade!
Será que você não entende?

Eu gosto da minha alma em chamas;
Da lágrima dos meus olhos;
Do coração batendo em dor;
Deixe-me em paz com minha melancolia...

Pelos séculos eu sinto o chamado dos deuses da noite, das rainhas da magia. E isso é Deus pulsando em meu coração. É o Diabo tornando viva minha alma.
Todas as suas crenças, por milhares que sejam, com todos os seus sorrisos, não podem calar as vozes dos deuses que atendem nossas preces pelos séculos.
Não me peça para falar em Deus, não me peça para seguir uma religião, não me peça para fazer a escolha certa!
Eu vou caminhando pelas minhas estradas cheias de curvas porque nada pode ser reto, nada pode ser certo, nada jamais será certo.
E se você é feliz e eu não, e daí?

Não interessa sua felicidade!
Será que você não entende?

Eu gosto da minha alma em chamas;
Da lágrima dos meus olhos;
Do coração batendo em dor;
Deixe-me em paz com minha melancolia...

O que sua felicidade vai trazer de tão glorioso e bom que eu já não tenha com minha melancolia?
O carnaval de suas ideias tentou jogar confetes em minhas ruas de cores negras;
Seus gritos desesperadores tentaram me convencer do quanto você é feliz com uma vitória;
Você tentou me vestir com suas roupas coloridas...
Mas em minha alma brilha o oposto do que você é na luz, e por isso mesmo eu jamais deixarei de estar satisfeito comigo mesmo, com o que eu sou. Jamais deixarei de cantar minhas crônicas soturnas.

Não interessa sua felicidade!
Será que você não entende?

Eu gosto da minha alma em chamas;
Da lágrima dos meus olhos;
Do coração batendo em dor;
Deixe-me em paz com minha melancolia...

Alegria! Tenha piedade dessas almas que bebem de sua fonte, viciando-se cada vez mais nessa busca por ilusões.
Ouça minha oração, porque peço que me deixe em paz! Peço que me deixe apenas com a verdade, com a experiência, com a dor que vai me ensinar a caminhar ao lado dos deuses que verdadeiramente atendem nossas preces pelos séculos.
Ouça, alegria! Eu não acredito em você! Suas ilusões não me atingem. Por isso, não venha tentar me convencer de que posso aproveitar algo que seja útil com você. Tudo que vem de você, alegria, é fútil. Fútil! FÚTIL!

Não interessa sua felicidade!
Será que você não entende?

Eu gosto da minha alma em chamas;
Da lágrima dos meus olhos;
Do coração batendo em dor;
Deixe-me em paz com minha melancolia...
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Por dentro





Eu quero um poema soturno,
Mais lindo e mais imundo,
Que o mundo
Macilento e taciturno
Embebido de prazer noturno
Mais sujo e mais profundo,
Que o mundo.
Eu quero um poema soluçado,
Que incomode como um dedo,
Cortado,
Que escorra e inunde
O mundo, imundo, profundo
Que como o sangue, unge,
Um coração desfacelado, redundo.

Eu quero um poema antídoto
Que expele a mácula da tristeza
E conserva a beleza, ilesa.
Um poema sórdido
Um poema mórbido
Que me faça vigília na morte,
E nunca se despeça na ida
E que me prive da sorte
De finar-me em vida.


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Neste fim de ano leia um bom livro


ANJO VADIO (poesia) - Os poemas desta obra falam sobre amor e sombras, sentimentos ardentes e sedução, onde inovação e ousadia são as palavras certas para definir o que sua arte por vezes apresenta: dominação, submissão e sexo! Versos que, em sua maioria rimados, foram construídos com o encanto de uma sensualidade noturna, dando um aspecto sublime à poesia de Sr. Arcano, um autor que trabalha suas ideias cercado por um ambiente de mistérios e encantos, como um artesão das sombras dando vida às suas escrituras de beleza e magia.


OS CONTOS PROIBIDOS DO SR. ARCANO (contos) -
Leitor, seja bem-vindo ao mundo proibido de Sr. Arcano, cujos contos narram fatos e acontecimentos que vão do fantástico ao terror, da loucura ao horror e do polêmico ao absurdo.
Aqui o autor o convida a viajar aos subterrâneos sombrios de sua mente, onde o leitor poderá se perder em fascínio ou ficar paralisado de medo. Mesclando fantasia e realidade, o escritor oferece seu breve cardápio, à primeira vista atraente, mas que, com uma melhor apreciação, fará o leitor perder-se nas páginas de seu livro proibido, provando um gole de uma saborosa taça de veneno a cada conto.
Os contos proibidos do Sr. Arcano reúne vinte contos de terror, mistério, loucura e fantasia. Um livro que abre as portas do absurdo e fantástico, e ao mesmo tempo real, em que você, leitor, estará no meio de todo esse cenário, como um visitante explorando locais proibidos e sombrios.


O MISTÉRIO DE HENRI BLOT (romance) -
Em 1886 um homem chamado Henri Blot escandalizou a França ao tentar defender-se em seu julgamento por profanação. Com bastante naturalidade, ele disse que não poderia viver sem alimentar-se de sangue. Foi condenado a dois anos de prisão, depois de ter sido provado que Blot violou túmulos de jovens mulheres, praticando necrofilia e bebendo o sangue das mortas. Na época, o condenado estava com 26 anos e depois de muitos rumores a seu respeito, sumiu misteriosamente e nunca mais foi encontrado.
Cem anos depois o Convento das Irmãs do Sul recebe uma visita assustadora à noite. Atraído pelos livros da escritora Madre Clarisse, que publicou vários estudos sobre demonologia e mitos vampíricos para a Igreja, um vampiro procura a freira para revelar a ela um segredo terrível, trazendo lembranças de um passado recente e macabro que fazia a cristã ter, todas as noites, pesadelos com o terrível Henri Blot.


SETE SOMBRAS E UMA VELA (poesia) - Tristeza, pesadelos e sonhos, pessimismo, degradação, loucura, morte e mistério são os temas deste livro. Demorou anos para que todos os poemas fossem aqui reunidos. Portanto, a publicação deste livro é uma das mais importantes da minha vida que, relacionada com a literatura, teve início aos quatorze anos, quando escrevi meu primeiro poema: “Noite má”, publicado nesta obra. E hoje, com meus 30 anos revelo: SETE SOMBRAS E UMA VELA é uma espécie de despedida de uma fase poética. Não que eu mude de estilo, mas sim porque meus versos ganharam um novo refinamento. Quando se faz poesia, aprende-se com a prática uma evolução criativa cujo desenvolvimento torna-se cada vez mais abrangente. E eu aprendi que essa é uma área sem escola — você estuda sozinho com suas próprias experiências e faz dela a sua profissão. Tendo-se, a partir daí, o que as pessoas chamam de dom.
Quando me refiro à minha relação com a literatura, falo de forma apaixonada como um devoto para com sua religião. Não basta envolver-se com a narração, temos que praticar o artesanato das palavras. Por isso, que me perdoem os romancistas, mas sem poesia não há literatura. E a minha literatura é, sob um nível pessoal, soturna como a vida a mim se apresenta. Não por regra, mas sim por escolha e experiência.
(Sr. Arcano)

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Scarlet

Em homenagem aos meus leitores do passado, que conheceram um lado oculto de meus escritos sendo transbordado em taças de sangue, e dor.
Texto dedicado a uma pessoa misteriosa...


Scarlet... tomastes meu inferno como sendo teu. Absorvestes na alma a minha tortuosa solidão.
Os objetos do passado repousam no meu lar que serve como prisão para minha existência. Suas tonalidades rubras são apenas simples marcas de um passado que não voltará.

Sem mais nada para ocupar o espaço de minha existência, sou obrigado a conviver com minha solidão. Fui condenado a vagar nas esperanças de meu mundo de ilusões, deixando o tempo levar os adornos do meu passado, como folhas secas e mortas quando chega o outono.

Antes fosse o cigarro do maço vermelho que me deixastes, do que outra causa desprezível incendiando nosso espaço repleto de sonhos. Silenciando as notas apaixonadas de nossa união, como ecos espectrais sendo paridos de nosso piano vermelho. “Soluços ao luar, choros ao vento... tristes perfis, os mais vagos contornos. Bocas murmurejantes de lamentos”...

A dor de meus lamentos é tão grande que até um surdo pode ouvir.

Agora as notas são todas uníssonas, a canção emitida pelas teclas é uma voz calma e quase tão profunda quanto o meu coração, e é ela que vai ao encontro de sua voz arquejante, e nunca foi o contrário...

As rosas vermelhas estão murchas no vaso, o ar aqui é irrespirável...

Nossos sonhos morreram e teu incomparável rosto é uma lembrança fragmentada no limbo dos jardins da morte, onde o cheiro funesto é insuportável.

Encontrei a pouco teu batom vermelho embaixo da cama, e como qualquer lembrança tua é algo que mata-me por dentro, tentei, inúmeras vezes, me aconselhar usando-o para escrever no espelho que era preciso que fosses consumida também pelas chamas. Porque em nossos nomes somos imortais e nenhuma cruz será capaz de pôr um fim em nossa existência.

E minha amada Scarlet, no dia em que me despedi de ti, eu realmente estava querendo te dizer que eu estava indo morrer. Não me pergunte como (conheces-me muito bem), mas eu já sabia que eu iria me consumir no fogo mortal da paixão. Na noite em que fui embora (conhecer a morte) esbarrei numa mulher que eu procurava há tempos. Uma mulher muito especial que guarda na alma poderes rubros e ardentes. Não me lembro realmente de nada, a última coisa que vi foi seu cabelo, acho que era...

                                                                 VERMELHO!

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Crônicas soturnas - 11

Os óculos de um homem morto




Eu achei os óculos de um homem morto.

Foi assim: Eu caminhava pelo Rio de Janeiro, e avistei os óculos de um homem morto. Ele estava no chão, com as lentes quebradas e sujo. É antigo mas não havia poeira. É de um homem morto mas não tinha sangue.

O dono desses óculos foi poeta. Quem sabe o que ele escreveu? Quem sabe o que ele sentiu? Neste mundo moderno cheio de máquinas e relacionamentos virtuais, não existe máquina alguma capaz de expressar o que esse homem um dia foi capaz de expressar! Nenhuma máquina no mundo é capaz de sentir o que ele sentiu, muito menos traduzir em palavras esses infinitos sentimentos.

O dia estava nublado. Não havia muita esperança nos olhos do mundo, mas quanta bondade e sofrimento nos olhos de quem passava por ele! E mesmo assim, indiferentes, pisavam no objeto sem saber a quem ele um dia pertenceu.

Cada pessoa que por ele passou viveu uma história sofrida e profunda, mas nenhuma seria capaz de expressar como esse homem morto era capaz, todo o sofrimento de suas vidas!

Quem sabe quantos versos esse homem escreveu? Quem sabe quantas emoções ele viveu? Quem sabe quantas histórias de vida impressionantes ele testemunhou? E quantos livros ele leu? Quantas lágrimas os olhos por trás de sua armação de metal derramaram?  Ninguém jamais poderá saber!

E no entanto, todos que por ali passavam seriam capazes de entender esse homem morto. Isso porque, como está acontecendo nesse momento com todos os passantes, também havia uma pedra em seu caminho. A diferença é que a pedra no caminho desses passantes é muito, muito maior.

Enquanto esse homem morto virou estátua que armazena as fezes dos pombos em sua cabeça, as pessoas que não o conheceram, muitas delas (e a maioria), são desprovidas de uma educação de respeito. E infelizmente não podem nem mesmo ler os versos desse homem morto. Elas não precisam de óculos, elas nem mesmo sabem ler. São bondosas, querem aprender, mas não há chances nesta terra de pobres explorados por máfias políticas.
Eu achei os óculos de um homem morto. Os tempos mudaram. E parece que esse homem não terá mais significado além de uma mera estátua.

Há ruínas em nossas terras: os livros perderam seu significado, as pessoas parecem zumbis seguindo propagandas, e óculos antigos e quebrados são abandonados pelas ruas.

(Sr. Arcano)

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Carpe Noctem!

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Idolatria das Sombras

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Matéria sobre o livro "Sete sombras e uma vela" publicada na fanzine "The funeral of tears"


Meus agradecimentos ao editor da "Funeral of Tears", pela publicação da matéria sobre o livro "SETE SOMBRAS e uma vela", de minha autoria.
Na divulgação de uma página inteira da revista, a matéria foi completada com o poema "Mar tenebroso", que faz parte dessa obra de poesia sombria e obscura.
Abaixo, cópia da matéria, na página ao lado direito.





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Crônicas soturnas - 10



Meu mundo não é o seu e este em que você vive não foi feito para mim. Em meus sonhos acordo para a realidade que você nega o tempo todo, como uma máquina programada para não acreditar no que está além.

Meu mundo não é o seu. Não, não é.

Estou dormindo, por isso estou acordado. Em meus sonhos vivo minha realidade. E você... se está lendo isto,  não está dormindo. Mas também não pode acordar de onde está.

Dentro de mim sou o que sou e nada vai mudar isso. Neste mundo de sonhos e ilusões assombro a sepultura que é sua vida. Estou vivo, e você está morto.

Vagando pela cidade escura vejo a neblina noturna cobrindo as paredes imundas de uma arquitetura corrupta.

Não adianta... por mais que você construa instituições de lucro nunca vai conseguir ser livre. São prisões que você constrói.

E estou vagando entre os becos e vielas sujas nesta noite, assombrando tudo que é seu. Planejando a revolução que trará o fim de tudo o que existe para você. Nas ruas, você não tem chance.

Minha alma vaga com anseio de lhe ter possuído. Em minhas garras continuo ansiando por seu pescoço. Num desejo cada vez mais forte, cerro as mãos com toda a força do meu ódio.

O grito não sai porque com ele vem a ânsia de morder seu coração, dilacerar sua carne.

Até que... Acordo.

Não, não “acordo”. Acho que voltei a dormir. Dormir essa realidade que chamam de vida, onde centenas de mortos ao meu redor vagam à procura de um sentido para a vida.

Quando os mundos colidirem tentaremos nos desgarrar do que vivemos, mas entre vivos e mortos só os que não têm medo de se sentirem vivos estarão a salvo.

No alto do seu edifício minha alma dá gargalhadas enquanto meu corpo dorme.

(Sr. Arcano) 

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Crônicas soturnas - 9



Obrigado Deus... Obrigado pelas Trevas!

O adeus tardio veio depois de muitas trovoadas... a cada frase dita um novo clarão iluminava as flores murchas do meu jardim devastado. Escondidas sob as sombras do meu pesar, suas pétalas sem cor repousavam sobre a terra lodosa.

Foi tudo tão tardio... E eu aqui, tentando achar uma resposta para o que não é justo nem nunca será, percebo neste momento que não há respostas para o vazio. Quando a alma carrega a agonia de não ter nada o que carregar só resta a tristeza, essa extrema tristeza de não ter o que se devia estar no lugar certo. Aqui, bem aqui, dentro de mim, não há vida.

Minha vida se foi...

Sorrisos e roupas coloridas não vão expressar o que sou, porque aqui dentro, bem dentro do meu ser, tudo é escuro e triste.

Minha cara amante trevosa... você que lê e acompanha minhas crônicas. Esses tristes textos de lamentações. Sabe o que estou fazendo agora? Estou tentando suportar minhas dores físicas. Por todo o corpo sinto inchaços e um cansaço terrível me assombra.

A realidade é terrível, minha querida amante trevosa. Eu não pertenço a este mundo.
E você me pergunta: “Então, por que foi morar nele?”.

— Eu não sei! Eu não sei!


Você já viu um anjo das sombras caindo no mundo da luz? Se cair não é a palavra certa, eu a defino dessa maneira. Porque este mundo de luz é sujo demais! Falso demais! Horroroso demais! Tudo aqui é uma tortura, uma escravidão!

Neste momento estou olhando para meu chapéu, luvas, maquiagem e demais vestes... Tudo sobre a cama empoeirada. O bufão soturno me convida para voltar. Eu quero voltar. Minha alma é aquele bufão. E eu, aqui, neste mundo de aparências e degradação, sinto apenas um vazio enorme no coração. Estou sem alma.
E todas essas ilusões e pesadelos que vislumbro à noite, todos esses devaneios psicodélicos, tudo, enfim, tudo vem dessa minha tristeza.

Posso até ser louco (e gostar disso), mas não é a loucura. É a tristeza que me consome de ilusões...
É dela que me alimento. Nas trevas eu me sinto bem. Portanto, esteja pronta para me receber se um dia eu abandonar tudo e voltar para o que sou. Para meu lugar, longe dessa alegria hipócrita que enfeita o sorriso dos que não encontraram nada para preencher seus vazios.

(Sr. Arcano)

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TERAPIA

Querido Luís Fernando... Tenho seis balas em meu tambor
E uma delas é tua, meu amor.
São seis balas, seis apenas
Para acalmar minha dor pequena.
A primeira eu sei como usar (sim, eu sei...),
E sei muito bem a quem presentear...
Aos homens sem palavras, tão eloquentes,
Que passam a vida parasitando tanta gente,
Aos que pensam que o importante é o metal,
Envenenando tanto e causando tanto mal.
Um tiro cego, porém decidido.
Um tiro, eu sei, fará sentido.

(BANG!)

Querido Luís Fernando... Tenho cinco balas em meu tambor
E uma delas é tua, meu amor.
São cinco balas, cinco apenas.
A cortina abre e logo se encena.
Destilo meu veneno já sem muita pressa.
Apresento minha raiva, e a segunda se endereça
Ao poder sujo de cartas marcadas
Que envolve os humildes, humilhando os menores,
Triturando, matando, favorecendo os piores!
Um tiro seco, já faço minha mira,
Um tiro forte que carrega TODA A MINHA IRAAAAA!!!

(BANG!)

Querido Luís Fernando... Seu filho duma puta!
Tenho quatro balas em meu tambor
E uma delas é tua, meu amor.
São quatro balas, quatro apenas.
A noite cai e em breve será plena.
Da minha janela vejo um mundo de aparências,
Aperto o gatilho e a terceira grita com demência!
(BANG!)
Pessoas burras esvaziam seus bolsos, e o que mais?
Queimam tantos livros enquanto compram seus cristais,
Falando tanto, arrotando ignorância,
Esbanjando suas posses, esbanjando petulância.
Um tiro, sim, não há mais tempo a perder.
São tão superficiais, ninguém vai perceber.

Querido Luís Fernando... Tenho três balas em meu tambor
E UMA DELAS É TUA, meu amor.
São três balas, três apenas.
A morte vem e de longe lhes acena.
A agulha trabalha bem e ainda não descansa,
A quarta vem feroz e nada a amansa.
(BANG!)
Charlatões aos montes explorando gente honesta,
Tirando-lhes o dinheiro, e o que nada mais lhes resta.
Mentindo e assaltando em nome de um deus feroz,
Prometendo o céu, a terra ou um inferno atroz.
Um tiro brusco, que cause confusão.
Um tiro longo, a libertação...............

Luís Fernando babaca... Tenho duas balas em meu tambor
E uma delas é tua, meu amor.
São duas balas, duas apenas.
Será mesmo a espada mais frágil que a pena?
Tento relaxar, ligo minha TV...

...

...

...

Mas o que lá está é difícil de esquecer!!!!!
Lavagem cerebral, é como chamo tudo isso.
Lixo cultural, se é que posso chamar lixo!
Superficialidade barata, alienação, ignorância.
ESTOURA-SE A CÁPSULA! (BANG!)
A quinta se liberta!
Uma platéia contratada assiste boquiaberta...

Luís Fernando... A última ficou para cumprir minha promessa.
(...)
Minha jura vem vindo, não é preciso pressa.
Será uma dádiva, um presente sublime.
Uma prova de amor, e não de crime.
(...)
Te acordarei ao amanhecer, te trarei o jornal.
Verás que tudo continua igual...
(...)
Alisarei teus cabelos, palavras de amor.
Nos meus versos profanos, meus ais de dor.
Chegarei ao teu prédio, subirei as escadas.
E darei, enfim, minha última cartada...
.

.

.

Neste mundo louco, querido Luís, para curar minha dor,
Não fui ao analista. Esvaziei a porra do meu tambor.

(BANG!)

De sua ex-amada (e agora morta): Inocência.

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Relembrando as Sombras...

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Crônicas soturnas - 8

A décima-terceira garota


Você tem medo de sair à noite?

Solitário, caminho como um andarilho noturno e percebo, pela enésima vez, a loucura dos tempos modernos corrompendo a sociedade.

Esse testemunho histórico é desgastante. Não se consegue mais entender toda essa violência. A complexidade de toda essa loucura em que vivemos gera um medo estranho. Não sabemos o que encontrar. As consequências são imprevisíveis. Desconhecemos a noite desde a época em que ela resolveu se rebelar.

Nesta rua deserta em que caminho, uma menina de rua se esconde nas sombras de um beco escuro. Ela me chama, e eu me aproximo dela.

A menina me oferece parte de sua comida. Fazendo um gesto com as mãos sujas de sangue, ela deseja compartilhar comigo sua refeição: órgãos humanos.

Em troca, divido com ela minha garrafa de vinho. Não creio que ela fosse me convidar para jantar se não tivesse visto a garrafa cheia em minha mão.

Comendo o que parecia ser um fígado, a menina sorri quando ofereço a ela um gole da bebida, que ela bebe com um apetite glutão.

Olho para o chão onde ela está sentada e acompanho o rastro de sangue. Descubro uma pistola ao lado do corpo de um homem, aberto a faca, sob o luar dessa noite funesta e, com a ajuda da faca deixada ao lado do cadáver arranco o coração.

O corpo está quente. Ainda fresco. Sento-me ao lado da menina e, juntos, desfrutamos do luar bebendo vinho e comendo carne humana.

Ela me conta sobre o homem. Aponta para um carro ali perto e confessa toda a história. Era o carro do homem morto.

Olhando melhor a menina vejo o quanto ela é linda. E me pergunto: "Seria uma viciada? Prostituta? Fugiu de casa?"

O que importa? Não é se precipitando em conclusões mundanas que se entende as criaturas...

Já o homem. Esse parecia não ter medo da noite. Ele desceu do carro e foi atrás da menina perdida e solitária em busca de prazer. Essa seria a décima-terceira garota que ele iria estuprar. Mas o problema dos homens que acham que não há motivos para se temer a noite é exatamente esse, o ceticismo. E isso se reflete em todos que não respeitam o desconhecido ou improvável.

Uma das maiores ruínas da sociedade moderna é querer tapar os olhos para o medo. Isso porque neste mundo misterioso chamado Terra sempre haverá algo para se temer.

Ouço alguém chorando dentro do carro. Levanto-me e a menina me acompanha apenas com seu olhar alucinado enquanto vou verificar.

Há outra menina no carro. Mais nova. Toda encolhida, aparenta ter uns treze anos. Entre lágrimas, ela suplica:

-- Por favor, limpem as minhas digitais da arma e podem ficar com o corpo. Não me machuquem, por favor...
-- Era seu pai? - Pergunto.
-- Meu padrasto. - Ela responde.
-- Por que você atirou nele, menina?
-- Ele me fazia... assistir... todas as vezes, e... depois... fazia comigo em casa...

Por hoje chega, pois já estou farto dos problemas sujos da sociedade. E caminho de volta para a menina canibal que aguarda minha companhia.

A outra menina põe a cabeça para fora do carro e pergunta, preocupada e em desespero:
-- Vai fazer o que eu pedi?

Já a alguns metros distante atendo seu pedido. Ela me vê limpando a pistola com minha camisa, e digo a ela do outro lado da rua:
-- Carregue sua cruz e eu carrego a minha.

Você tem medo de sair à noite? Nessas horas de luar os anjos andam entre monstros que os chamam das sombras onde se escondem.

(Sr. Arcano)
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Crônicas soturnas - 7

"O inferno são os outros"
(Sartre)


Às vezes a vida parece insuportável. Não por minha causa, mas sim por causa dos outros. Já falei aqui sobre coisas que passaram deixando um vazio na alma, mas que tornarão a vir como um ciclo infernal que se repete. Aliás, o inferno é a repetição...

O pior é que, mesmo sozinho, encontro-me com a insuportável sensação de que os outros nunca me deixarão em paz. Eles voltam das profundezas de seus problemas egoístas, como parasitas cuja existência depende da energia que vibra em minha vontade realizadora.

E quantas vezes não foi assim? Sempre surge uma puta que se julga dona de nossas ideias e realizações, ou um babaca com delírios de iconoclasta querendo derrubar seu ídolo. Mas não sou oco para ser quebrado com um martelo, muito menos previsível para ser dominado.

Por isso, não compartilhe comigo o seu egoísmo. Carregue sua cruz e eu carrego a minha.

Naquele copo de vidro da padaria já pousaram centenas de lábios imundos. Todos esvaziam seu conteúdo e, no dia seguinte, precisam de mais. Não que suas vidas dependam disso, mas o que os outros querem é esvaziar você para viverem de um conteúdo que elas não possuem. Depois, o que resta são as necessidades básicas de se expelir tudo e voltar a esvaziar outro copo. Malditos parasitas...

Agora o funcionário da padaria lava os copos. É necessário que todos estejam limpos (copos sujos refletem o que há de repulsivo nos outros), e um bom café é sempre um bom café!

De repente, todos olham assustados para o chão. O funcionário deixa cair um copo, vidros espalham-se por toda parte. O que todos sentem é algo além do susto. Sentem uma perturbação em seus comodismos. Algo aqui ameaçou a ordem e acordou, por um breve instante, pessoas que vivem presas no mundo vazio dos que não possuem conteúdo. Mas de tão acostumadas com o vazio, apenas lamentam o que feriu suas moralidades.

Todos não passam de parasitas egoístas.

(Sr. Arcano) 

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Estrada para o inferno


Pelo anjo da guarda ela foi abandonada
E pelo seu demônio ela foi recebida.
Sua esperança está morta, sua vida acabada.
Entre bebidas e drogas está perdida.

Ela está com seu coração despedaçado,
Seu dinheiro todo transformou-se em fumaça.
Enquanto lamenta em seu refúgio arruinado,
Um demônio por acaso por ela passa.

Ele pergunta se algo está com ela havendo
E ela responde: “O meu controle estou perdendo!”.
O demônio oferece ajuda e ergue sua mão.

Ela aceita e com ele parte para a estrada,
Mas ela sabia que era sem rumo a jornada.
O oportunista a tem sem controle e razão.

(Sr. Arcano)

      

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Sr. Arcano é o pseudônimo do escritor e poeta Alexandre Souza. Suas obras classificam-se em gêneros como: terror, fantasia e mistério. Nascido em 1 de setembro de 1980, é brasileiro e um incansável viajante à procura de novos conhecimentos e experiências. ††† Site: www.senhorarcano.com

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